28 outubro 2009

Foi uma cruzada fenomenal!

 
De Castro Verde






por Ourique



até Alcoutim




Foi uma aventura sem fim.

Espero regressar e rever as pessoas, os caminhos e as terras, dos afáveis mundos que entretanto conheci.

20 outubro 2009


Livros & Leituras - Que lugares ocupam na sua vida a economia, a escrita e a ilustração?
Pedro Seromenho - A economia foi uma fase da minha vida, do meu passado. Trabalhei como consultor de projectos, analista financeiro e ora serve-me como âncora, como lastro, para me impedir de sair por aí a voar. Costumo dizer em tom de brincadeira, para os que me perguntam como tive a coragem de mudar radicalmente de vida e de rumo, que me fartei de jogar sudoku, que me afastei das contas e dos números. Sei que no país em que vivemos soa esquisito dizê-lo, mas a escrita e a ilustração são e serão a minha vida, a minha profissão a tempo inteiro. É o que amo fazer e isso basta.
L&L -   Quais os escritores e as obras que mais o marcaram?
PS - Tenho um gosto bastante diferenciado no que leio mas, no campo infanto-juvenil, ainda hoje guardo na alma a magia e o encanto de livros como o “Meu pé de laranja lima” de José Vasconcellos, “O Principezinho” de Saint-Exupéry, “A fada Oriana” de Sophia Andresen ou ainda “O João Sem-Medo” de José G. Ferreira.
L&L -   Em “900 – História de um Rei” aproxima a História de Portugal dos mais novos. A que se deve a escolha deste tema?
PS - A escolha resulta da conjugação de vários factores, através da editora Opera Omnia, pois a obra serve as comemorações dos 900 anos do nascimento do nosso primeiro rei. É um grande orgulho e um maior desafio para um escritor conseguir aproximar esta efeméride das novas gerações. Os jovens ainda encaram a História de Portugal como algo muito enfadonho, porque têm que decorar reis e datas e cismam com a disciplina. O retrato actual do D. Afonso Henriques ainda é o reflexo de um Estado Novo que o transformou numa figura austera e desenxabida. A minha ideia, como escritor, foi torná-lo o herói desta aventura, fazê-lo conquistar os mais cépticos e os mais novos, da mesma forma como conquistou castelos aos almorávidas, há 900 anos atrás.
L&L -   Em que se inspirou para escrever este livro?
PS - No que toca ao rigor da obra, inspirei-me nos grandes historiadores que temos, como o José Mattoso ou o Hermano Saraiva. Quanto à temática do romance e da aventura medieval, considero-me fã das obras de Cornwell e de Montella.
L&L - O que é que os jovens podem encontrar nesta obra, sobre D. Afonso Henriques, que não encontrem num manual de história?
PS - Esta é questão intrincada. Costumo dizer que a História de Portugal é, por si só, uma novela. Todavia, no meu livro, tive a preocupação de lhe conferir ritmo, acção, linearidade temporal, descrições pormenorizadas de feitos e batalhas, os anti-heróis, a intriga e a conspiração, o amor e a paixão proibida, enfim, todos os ingredientes de um verdadeiro romance. Não se lê a trote, mas a galope.
L&L - Como descreveria a relação que tem mantido com os mais jovens, dado que já fez várias apresentações perante o público escolar?
PS - Nesta minha cruzada, tive o privilégio de viver e de conviver com o entusiasmo e o carinho que os portugueses nutrem pelo nosso rei. Fiquei surpreendido. Os mais pequenos, esses, têm adorado. Deve-se sobretudo às minhas sessões serem informais, uma espécie de conversa de amigos onde partilho as ilustrações originais e depois desenho ao sabor da imaginação dos espectadores. Interacção. Tenho aprendido muito.
L&L - Considera que os adolescentes estão receptivos à sua própria história e cultura enquanto tema de leitura?
PS - Claro. Porque não? Se os jovens dos outros países idolatram o seu “Rei Artur”, “Robin Hood” ou “Joana D’Arc”, porque não haveríamos de sonhar e fantasiar com as aventuras do nosso “D. Afonso Henriques”, “D. Nuno Álvares Pereira”, “Brites de Almeida” ou “Maria da Fonte”. Dêem-me sal e pimenta, que detesto a sopa insonsa.
L&L - Como é um dia normal na vida de Pedro Seromenho?
PS - É um dia imprevisível, mas repleto de criatividade. É o meu pior defeito: estou quase a terminar um projecto e, de repente, dou por mim noutra história. Não consigo impedi-lo. É mais forte do que eu: ora estou a escrever, ora a desenhar o que escrevi, ora a reescrever o que a imagem emprestou à narrativa. Adoro.
L&L - O que está a ler neste momento?
PS - “O Diário de um Banana”, de Jeff Kinney.
L&L - Quais os seus próximos projectos literários?
PS - O maior projecto que tenho em mãos prende-se com um “Story Book Park” que está a ser construído aqui em Portugal. Basicamente, escrevi a história e ilustrei as personagens e as casas no cimo das árvores, com escorregas, túneis, redes, slides e lagos, para os mais pequenos recriarem o imaginário do livro no próprio parque. Assim que o concluírem, será como entrarmos num bosque encantado, com fadas, duendes, dragões e outras delícias. Estou também a trabalhar na terceira aventura da colecção “Gonçalo”, que sucederá à “Nascente de Tinta” e ao “Reino do Silêncio”.

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